sexta-feira, 9 de março de 2007

Pré-Projeto de Pesquisa

Bom, depois de um começo "porco e sujo" conseguimos reunir todo mundo num mesmo lugar e, incrívelmente, na mesma hora para juntarmos as idéias para nosso projeto desse primeiro semestre de 2007.

A idéia de discutir "a arte como referência para o design" focando os trabalhos do surrealista René Magrite.

No pré-projeto de pesquisa que colo abaixo tentamos formular alguns questionamentos para basearmos nossa pesquisa.


A ARTE COMO REFERÊNCIA PARA O DESIGN

1 – Escolha do subtema

René Magritte.

2 – Revisão da Literatura

“1898 21 de Novembro: René Magritte nasce no Hainaut, Bélgica.

1916 Inscreve-se na Académi des Beaux-Arts em Bruxelas. A sua família muda-se também para Bruxelas no ano seguinte.

1918-1920 primeiros quadros, inicialmente no estilo cubista e depois no estilo futurista. Conhece Pierre Bourgeoís, o poeta, que fica impressionado com a obra de Magritte. Magritte fará mais tarde ilustrações para poemas de Bourgeois. Conhece E.L.T Mesens. Primeiros desenhos para cartazes de anúncios.

1926 Um período de trabalho intensivo, que resulta em sessenta quadros num ano. Considera o Jóquei Perdido o seu primeiro quadro surrealista. Ligações com Geomans, Nougé, Scutenaire e Souris. O grupo encontra-se regularmente com Lecomte e Mesens.

1928 Exposição em Bruxelas na galeria “L’Epoque” (Janeiro). Participa na primeira exposição coletiva dos surrealistas na Galerie Camille Geomans, Paris. Primeiras experiências no cinema com Paul Nougé”.
(MEURIS, Jacques (org.); PAQUET, Marcel. Magritte. ed. 01. Paisagem, 2006)

“O surrealismo nasceu de um desejo de ação positiva, de começar a reconstruir a partir das ruínas do Dada. Pois, ao negar tudo, o Dada tinha que terminar negando a si mesmo (“O verdadeiro dadaísta é contra o Dadá”), e isso levou a um círculo vicioso que era necessário romper. Isso foi sentido da maneira mais aguda pelo grupo de jovens franceses reunidos em torno de André Breton”.
“O Manifesto surrealista anunciou o surrealismo como um movimento literário, mencionando a pintura apenas numa nota de rodapé. Afirma, entretanto, abranger todo o espectro da atividade humana, com o objetivo de explorar e unificar a psique humana, englobando áreas até então negligenciadas da vida, como o sonho e o inconsciente. O Manifesto era tanto a culminação dos dois anos precedentes quanto o núncio de algo totalmente novo”.
“As telas de Magritte são controvertidas; questionam os nossos pressupostos acerca do mundo, acerca das relações entre um objeto pintado e um objeto real, e estabelecem analogias imprevistas ou justapõem coisas completamente desconexas num estilo deliberadamente inexpressivo, o que tem o efeito de um lento estopim”.
(STANGOS, Nikos (org.); CABRAL, Álvaro; Conceitos da Arte Moderna. ed. 02. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993)

“R. Magritte (1898-1967) é, dentre todos os surrealistas, o que mais aprofundou o problema da ambigüidade alógica da imagem, e também em relação à palavra; ele cria a anti-história, desvenda o absurdo do banal, representa com meticuloso detalhismo imagens de significado ambíguo, que facilmente decaem no duplo sentido, no jogo de palavras figurado”.
(ARGAN, Giulio Carlo; Arte Moderna; ed. 05. Companhia das Letras, 1998)

“...No entanto, convém insistir sobre o incidente que o ligou a Servranckx, pintor abstractizante a quem o surrealismo, contudo, não deixou indirente. Ele conseguiu que Magritte trabalhasse, como desenhador de projetos, com um fabricante de papeis pintados. O que este incidente tem de mais interessante é o fato de permitir o pintor diversos meios de ganhar a vida à margem da arte, sem no entanto violentar aquela liberdade que todo o criador exige. Magritte trabalhou, durante dois anos, nas oficinas da fabrica Peeters-Lacroix, nos arredores de Bruxelas. Desenvolveu assim uma atividade que lhe permitiu prover às suas necessidades. Compôs também, nesse momento, cartazes e anúncios publicitários, outra atividade que lhe permitiu sobreviver, inaugurando, nomeadamente, anos mais tarde (entre 1931 e 1936), a agência de publicidade Dongo em colaboração com o irmão Paul. Foram também atividades elementares que lhe permitiram familiarizar-se com técnicas que utilizou em suas atividades artística: colagens, atividades que se inserem, num plano horizontal, na ciência da imagem que provoca sensações. Também lhe permitiram compreender a fronteira entre a chamada arte aplicada e a grande arte é uma fronteira tênue, no plano ético”.
(MEURIS, Jacques; René Magritte 1898-1967; ed.01 Benedikt Taschen Verlag Gmbh, 1999)

“Esta originadade manisfesta-se, em primeiro lugar na união fundamental que o pintor belga estabelece com o mundo tal como ele é, nesta base, ele age de determinada maneira e é a partir das evidências que se afirma tudo o resto. Mobilizando o subconsciente através do pré-consciente, e este através do evidente, ele confirmou que a realidade ultrapassa a ficção e que, desta maneira, o consciente domina o inconsciente. Foi praticamente o único surrealista que agiu assim, colocando-se fora de uma arte de ficção, baseado num apelo parafreudiano a forças nevóticas”.
(MEURIS, Jacques; René Magritte 1898-1967; ed.01 Benedikt Taschen Verlag Gmbh, 1999)

3 - Problematização

P: É possível estabelecer uma relação entre arte e design?
R: Sim, na maioria das obras de arte, existe a elaboração de um projeto anterior a arte final, como no design

P: É possível dizer que Magritte era Designer? Por quê?
R: Sim. Magritte trabalhou como desenhador de projetos, com um fabricante de papeis pintados, durante dois anos, esteve nas oficinas da fabrica Peeters-Lacroix, nos arredores de Bruxelas. Desenvolveu assim uma atividade que lhe permitiu prover às suas necessidades. Compôs também, nesse momento, cartazes e anúncios publicitários, inaugurando, nomeadamente, anos mais tarde (entre 1931 e 1936), a agência de publicidade Dongo em colaboração com o irmão Paul.

P: Após Magritte trabalhar como designer, suas obras artísticas sofreram influências?
R: Seu trabalho como designer permitiu que ele se familiarizasse com técnicas que levou para sua atividade artística: colagens, atividades que se inserem, num plano horizontal, na ciência da imagem que provoca sensações. No seu trabalho como designer, magritte pode compreender melhor a fronteira entre a chamada arte aplicada e a “grande arte”
P: Podemos encontrar influências de Magritte em outras épocas?
R: Sim. Sua influência é diversificada e concreta. Podemos ver sua presença, confessada ou oculta, admitida ou não, em quatro direções principais. O primeiro campo em que a obra magrittiana é (e continua) evidente é o da publicidade. Um outro também é o da Pop Art e o que a envolve, até o período do hiper-realismo, inclusive. Um terceiro campo de influência pode-se encontrar-se nas pretensões éticas da arte conceitual. Um quarto, na verdade relativo, liga os períodos Renoir e Vache a certos aspectos das artes ditas selvagens ou transvanguardistas.

P: É possível afirmar que Magritte estabelecia uma relação entre a Arte e a Vida?
R: Sim, Magritte ilustra uma paisagem surreal deixando livre a percepção imaginante como inauguradora de um processo aberto de construção de sentidos, que busca atingir como desdobramento educativo final a conscientização poética e critica em relação ao mundo pelo leitor estabelecendo inserções recíprocas entre a arte e a vida.

4 – Delimitação do assunto

P: Após Magritte trabalhar como designer, suas obras artísticas sofreram influências?

R: Seu trabalho como designer permitiu que ele se familiarizasse com técnicas que levou para sua atividade artística: colagens, atividades que se inserem, num plano horizontal, na ciência da imagem que provoca sensações. No seu trabalho como designer, magritte pode compreender melhor a fronteira entre a chamada arte aplicada e a “grande arte”.

5 – Hipótese

Assim como o design de Magrittr vai buscar referências na arte, sua arte também é influenciada pelo design.

Referências bibliográficas

MEURIS, Jacques (org.); PAQUET, Marcel. Magritte. ed. 01. Paisagem, 2006

MEURIS, Jacques; René Magritte 1898-1967; ed.01 Benedikt Taschen Verlag Gmbh, 1999

STANGOS, Nikos (org.); CABRAL, Álvaro; Conceitos da Arte Moderna. ed. 02. Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 1993
ARGAN, Giulio Carlo; Arte Moderna; ed. 05. Companhia das Letras, 1998

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